Grupo organiza primeiro encontro gay cristão ibérico. Hierarquia eclesiástica recusa comentar.
São católicos e praticantes, mas por serem homossexuais estão afastados da estrutura eclesiástica. Sensibilizar a Igreja para a mudança desta postura é um dos objectivos do primeiro encontro de gays cristãos, em Évora.
“Jesus discriminaria?”. A questão intemporal é colocada pela organização daquela reunião ibérica no Alentejo, agendada para os dias 27 e 28 de Setembro. Debates, palestras e grupos de trabalho, com dezenas de gays católicos de Portugal e Espanha, tentarão responder a tal pergunta, tendo como pano de fundo uma exigência comum: respeito e justiça para todos os homossexuais na Igreja Católica.
Contando com a participação de cinco colectivos religiosos do outro lado da fronteira, o I Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos é organizado pelo movimento Rumos Novos, com um ano de existência e que conta nas suas fileiras com dezena e meia de elementos, alentejanos, na sua maioria pertencentes à Associação Portuguesa de Homossexualidade Masculina.
Segundo um dos líderes daquele movimento gay, as conclusões dos dois dias de reuniões no Hotel Ibis, em Évora, serão depois remetidas à Conferência Episcopal Portuguesa. “Somos católicos e queremos participar na vida sacramental da Igreja. Jesus nunca se pronunciou em relação à homossexualidade mas a tradição da Igreja sim”, explica ‘José’, simplesmente José, justificando o anonimato com o facto de muitos dos elementos do Rumos Novos estarem integrados nas suas paróquias – alguns como orientadores pastorais – e onde ninguém sabe da sua associação ao movimento.
Para o dirigente religioso a expressão da sexualidade alternativa não é incompatível com o catolicismo, sugerindo que a Igreja se abra ao desenvolvimento de uma “teologia sexual”. Uma disciplina que pudesse ajudar na reforma da concepção da sexualidade e na aceitação dos homossexuais.
“A Igreja não acha a homossexualidade pecado. Aceitamos as nossas responsabilidades perante a Igreja e queremos ter, com dignidade, uma maior participação na vida eclesiástica”, exige José.
A Igreja portuguesa sabe, há vários meses, que Évora se prepara para receber este evento. O movimento organizador enviou cerca de 700 emails a vários membros da hierarquia eclesiástica. Não obteve qualquer resposta.
In JN